Em tempos de eleição, não faltam promessas. No pleito pelos
cargos públicos, sejam eles em esfera municipal, estadual ou federal, o apelo e
a tentativa do convencimento por meio de promessas é um dos mecanismos mais
usados pelos candidatos. E nessa busca pelo voto, pelo apoio, os candidatos
podem se perder em meio às promessas de ações impraticáveis, seja pela
complexidade do assunto, seja pela própria limitação das atribuições legais
daquele cargo almejado. No entanto, no afã pela vitória, não apenas se fala
demais, mas se promete absurdos, como se vê nas eleições para vereador a cada
quatro anos. Nesse sentido, conhecer as atribuições e verdadeiras funções do
cargo legislativo municipal é fundamental não apenas aos que almejam ocupar
tais cargos, mas principalmente para os eleitores, os quais munidos de algumas
noções facilmente poderão identificar falácias, mentiras e uma sorte de
discursos eleitoreiros absolutamente descolados da realidade.
Mas, o que faz o vereador? Enquanto agente político, ele faz
parte do poder legislativo, sendo eleito por meio de eleições diretas e, dessa
forma, escolhido pela população para ser seu representante. Esta noção de
representante da sociedade está entre as noções mais caras dentre suas funções,
pois as demandas sociais, os interesses da coletividade e dos grupos devem ser
objeto de análise dos vereadores e de seus assessores na elaboração de projetos
de leis, os quais devem ser submetidos ao voto da assembleia (câmara
municipal). Dessa forma, são responsáveis pela elaboração, discussão e votação
de leis para a municipalidade, propondo-se benfeitorias, obras e serviços para
o bem-estar da vida da população em geral. Os vereadores, dentre outras
funções, também são responsáveis pela fiscalização das ações tomadas pelo poder
executivo, isto é, pelo prefeito, cabendo-lhes a responsabilidade de acompanhar
a administração municipal, principalmente no tocante ao cumprimento da lei e da
boa aplicação e gestão do erário, ou seja, do dinheiro público.
Quanto à dinâmica das discussões e votações
nas sessões, os vereadores organizam-se entre partidos que são considerados da
base do governo (não apenas aquele do qual o prefeito faz parte, mas também
outros que aderem ao modelo de governo da atual gestão) e os que são
considerados de oposição. Vale dizer que o fato de um vereador ser da oposição
não significa que ele sempre se posicionará contra as medidas propostas pelo
prefeito ou pelos partidos de base. O contrário também é verdadeiro, uma vez
que a base poderá não aprovar alguma medida do poder executivo. O que se
espera, pelo menos em tese, é que o posicionamento dos parlamentares sempre
seja pautado pelo interesse da coletividade (isto é, pela racionalidade na
análise dos projetos), e não apenas em termos partidários, da disputa política.
As características gerais do processo de
eleição dos vereadores também devem ser compreendidas. Diferentemente dos
candidatos ao cargo executivo de prefeito, os quais são considerados candidatos
majoritários, os interessados nos cargos de vereador são candidatos
proporcionais. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na eleição para os
cargos proporcionais não são eleitos, necessariamente, os candidatos que
conseguem obter a maioria dos votos. Depende-se de cálculos específicos, os
quocientes eleitoral e partidário, conforme determina o Código Eleitoral
brasileiro. O quociente eleitoral trata-se do resultado da divisão do número de
votos válidos no pleito (todos os votos contabilizados excluídos brancos e
nulos) pelo total de lugares a preencher em cada parlamento, isto é, em cada
câmara municipal, no caso de vereadores. Após a realização do quociente
eleitoral (número de votos por cadeira do legislativo), calcula-se o quociente
partidário, o qual determinará a quantidade de candidatos que cada partido ou
coligação terá na câmara. Para este cálculo, divide-se o número de votos que
cada partido/coligação obteve pelo quociente eleitoral. Assim, como aponta o
TSE, quanto mais votos as legendas conseguirem, maior será o número de cargos
destinados a elas. Os cargos devem ser preenchidos pelos candidatos mais
votados de partido ou coligação, até o número apontado pelo quociente
partidário. Por isso, muitas vezes, estranha-se por que algum candidato com
certa notoriedade ou visibilidade mais destacada (muito bem votado) não tenha
conseguido se eleger, em detrimento de outro, menos conhecido e menos votado. A
resposta poderia estar no fato de que o primeiro (embora mais votado) seria de
um partido e coligação que não alcançou o quociente eleitoral, diferentemente
do segundo que, por conta de sua coligação, foi “puxado” para dentro, sendo
eleito.
Ainda segundo o TSE, para as eleições do
próximo dia 7 de outubro de 2012, registra-se que 449.756 candidatos disputam
57.434 vagas de vereadores disponíveis em todo o Brasil, o que significa que o
número de interessados é de quase 8 (oito) vezes o de vagas. Infelizmente, o
crescimento do número de candidaturas por todo o Brasil talvez seja um indicador
de como muitas pessoas são atraídas à vida política menos por engajamento e
conscientização que por interesses escusos e de promoção pessoal. Se por um
lado faz parte da realidade brasileira um maior amadurecimento político da
sociedade, o fortalecimento da democracia, bem como um processo eleitoral
moderno copiado pelo mundo afora (quando pensamos nas urnas eletrônicas), pelo
outro, ainda existem indivíduos que veem na política a possibilidade da
ascensão econômica e do prestígio social, distanciando-se dos verdadeiros
propósitos da vida pública.
Obviamente, as generalizações são sempre
equivocadas e por isso é certo ponderar que existem muitos candidatos sérios e
comprometidos. No entanto, a história da política brasileira confirma a
existência permanente de políticos de ocasião, oportunistas e de caráter
duvidoso. Estes, na ânsia da realização de seu projeto pessoal de carreira
política, acabam prometendo até mesmo fazer chover. Daí a necessidade do
desenvolvimento de uma consciência política cada vez mais apurada e aguçada,
pronta para descartar o voto nestes indivíduos e para confirmar o apoio aos que
realmente desejam uma cidade melhor para todos. Por isso, votemos conscientes.
Paulo Silvino Ribeiro

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